E a batalha hoje é sobre o azeite e o óleo de coco.

Pessoal nós somos portugueses, super azeiteiros, a verdade é esta, nós comemos azeite com bacalhau e não bacalhau com azeite, comemos azeite com batatas e não batatas com azeite. Mas temos noção do que isto faz à nossa saúde ou até da quantidade de calorias que estamos a ingerir?

Desde miúda sempre foi utilizado azeite na confeção das refeições e nunca óleos nem nada disso, mas quando comecei a tirar o curso percebi que a quantidade de azeite que o meu avô e até o meu pai metia na comida era completamente ridícula, o peixe quase que ressuscitava submerso em azeite.

Uma colher de sopa de azeite tem cerca de 110 kcal – para 119kcal, e eu já vi tantas pessoas a meterem ao final do dia um total de 5 ou 6 colheres, isto é o equivalente a um hambúrguer Big Mac do Mcdonald’s, o que é ridículo porque nem satisfação nem saciedade me dá!!!

O óleo de coco surgiu na minha vida por lá está, sou nutricionista, isto está na moda é fit bora experimentar. Eu adoro coco mas não gosto de cozinhar com óleo de coco a não ser para pincelar as frigideiras quando faço waffles ou panquecas ou coisas do género.

Agora falando da parte cientifica da coisa:

TIPOS DE GORDURAS

Numa primeira fase importa saber distinguir os tipos de gorduras (ou lípidos, compostos por ácidos gordos). São as diferenças de composição dos óleos nos vários tipos de ácidos gordos que determinam as suas características, tornando uns óleos mais indicados para a fritura do que outros. Existem ácidos gordos Monoinsaturados, Polinsaturados, Saturados e Trans.

Está comprovado que as gorduras insaturadas são a melhor opção na nossa alimentação. São consideradas “boas” gorduras e encontram-se em quantidades elevadas nas sementes, peixes gordos, azeite, óleos e cremes vegetais.

Sabe-se que têm efeito protetor relativamente às doenças coronárias atuando na diminuição do c-LDL (“mau” colesterol) e no aumento do c-HDL (“bom” colesterol).

Em contrapartida, as gorduras saturadas devem ser consumidas em menor quantidade (até 10% da dose diária recomendada) e derivam sobretudo dos produtos de origem animal, estando associadas ao aumento do c-LDL (“mau” colesterol), com consequente aumento de doenças cardiovasculares. A ingestão de gordura trans é a menos recomendada e deve ser tão inferior quanto possível (<1% da dose diária recomendada).

Quando se trata de selecionar os óleos para cozinhar, não devemos escolher apenas os mais saudáveis e menos processados, mas também os que se mantêm estáveis quando sujeitos a temperaturas elevadas.

Nos processos de fritura, a degradação dos óleos gera substâncias tóxicas de diversos tipos que podem ter efeitos bastante nocivos para a saúde.

No entanto, é importante ter presente que a formação destes compostos depende do tipo de óleo e da temperatura a que são submetidos os alimentos, podendo ser minorada com uma utilização correta dos óleos de fritura (temperatura, número de utilizações e tempo da fritura).

No que diz respeito ao ÓLEO DE COCO, este é composto por triglicéridos de cadeia média, ou seja, são uma fonte imediata de energia dada à rapidez com que entram na corrente sanguínea e que são transportados até ao fígado e músculos. Aliado a uma alimentação equilibrada e à prática regular de atividade física, esta condição pode ser favorável à diminuição do peso corporal. Contudo, a rápida energia gerada pode também ser usada no auxílio da acumulação de gordura no corpo, caso a ingestão calórica seja maior do que o gasto energético diário. É importante não esquecer que os ácidos gordos que compõem o óleo de coco são saturados, sejam eles de cadeia longa ou média, e são reconhecidos pela sua capacidade de aumentar o LDL. No que diz respeito à confeção a temperaturas elevadas e, devido à sua elevada temperatura de degradação, as propriedades do óleo de coco não são alteradas quando estão em contacto com o calor.

Agora o nosso AZEITE, aquele que todos nós usamos, quando falamos em gordura saudável, é inevitável optarmos pelo azeite. Este é conhecido pelos seus efeitos promotores da saúde cardiovascular e acredita-se que seja a razão principal para os benefícios da dieta mediterrânica, óbvio que sim mas sem comer colheres dele. Sabe-se também que pode aumentar os níveis de colesterol HDL e diminuir a quantidade de colesterol LDL na corrente sanguínea. Apesar dos ácidos gordos presentes serem insaturados, o azeite é bastante resistente ao calor e pode ser usado também para cozinhar a temperaturas elevadas.

Nisto tudo, concluímos que temos mais benefícios ao consumir o azeite em detrimento do óleo de coco, mas como refiro sempre, não é uma regra para seguir à risca e sim uma opção mais saudável e rica. Deste lado vou continuar a moderar a quantidade de azeite que utilizo e a utilizar o óleo de coco para untar as minhas formas e frigideiras para aqueles lanches deliciosos que partilho por aqui.