O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença inflamatória crônica, multissistémica, de causa desconhecida e de natureza autoimune, caracterizada pela presença de diversos autoanticorpos. Além dos aspetos específicos relacionados ao tratamento medicamentoso, algumas medidas de suporte, como orientação sobre a doença, apoio psicossocial, atividade física e, de forma particular, a abordagem nutricional, são essenciais para um atendimento integral das pessoas com LES.

Embora não exista uma dieta específica para as pessoas com lúpus, é importante serem feitos alguns ajustes para melhorar a saúde, ou seja uma alimentação adequada pode auxiliar no controlo do quadro inflamatório da doença e das complicações da própria terapêutica.

O risco cardiovascular parece ser aumentado em pacientes com LES devido à maior frequência de condições associadas à aterosclerose, como dislipidemia, diabetes mellitus (DM), síndrome metabólica (SM) e obesidade. Os corticoides são necessários para controlar a inflamação causada pela doença mas também promovem alterações no perfil lipídico podendo estar associados ao aumento do colesterol total e dos triglicéridos. Pessoas com esta doença apresentam alterações lipídicas, que são agravadas quanto maior a atividade inflamatória da doença. Além disto, os corticosteroides induzem o aparecimento de outros fatores de risco, como obesidade, hipertensão arterial sistémica (HAS), hiperinsulinémia e resistência insulínica. Por isto mesmo a orientação nutricional é importante para atenuar/amenizar as complicações desta doença.

A hiperinsulinemia aumenta o stress oxidativo, que é considerado um importante mecanismo fisiopatológico para o desenvolvimento da aterosclerose. Alguns estudos revelam que o Diabetes Mellitus é significativamente mais comum em pacientes com LES que na população em geral, devido à redução da sensibilidade à insulina.

As vitaminas também são muito importantes nestas doenças principalmente a vitamina D que ajuda o sistema imunitário. As pessoas com Lúpus não podem estar expostas ao sol e os próprios corticoides também afetam a absorção desta vitamina e, por isso normalmente necessitam de suplementar.

Pontos importantes a reter:

  • Não existe uma dieta específica para o Lúpus mas é recomendável manter uma dieta variada, equilibrada e com aporte calórico adequado, bem como a realização de atividade física e, por isto mesmo será benéfico falar com uma nutricionista para saber as suas necessidades nutricionais, alimentos a evitar entre outras coisas que ajudam na atenuação das crises.
  • Consome verduras e frutas cruas, prefere carnes brancas ou peixe, reduz o sal nas refeições, hidrata-te e não uses suplementação sem aconselhamento, pois pode interferir na ação dos medicamentos.
  • Estudos indicam que alimentos ricos em ómega 3 ou suplementos de óleo de peixe podem melhorar a fadiga e a atividade da doença.
  • Fala com o teu médico ou nutricionista sobre a suplementação da vitamina D pois pode ser vantajosa para o teu sistema imunitário, no entanto o seu consumo em excesso também pode ter efeitos nocivos para a saúde.