E tinha de chegar esta parte, falar de mim …. Vou contar-vos a minha história, profissional mas mais importante pessoal, talvez tu aí desse lado te possas identificar com alguma coisa do que irei escrever e te conseguirei ajudar a reerguer!

O meu nome é Ana Raquel, Raquel, como toda a gente me conhece, surgiu do meu irmão, pois quando tinha 4 anos tinha uma namoradita com o mesmo nome ahahah.

Nasci gordinha, mas mesmo gordinha com umas bochechas que pareciam que iam estalar, sempre pronta para comer e sempre bem disposta (dizem as pessoas que me conhecem). Já desde aí que se previa que a comida seria uma das minhas melhores amigas 😊.

A minha mãe sempre disse que sou muito parecida com ela, super despachada e sempre com soluções na ponta da língua.

No 9º ano lembro-me de me dizerem que tinha de decidir para que área iria e eu fazia lá ideia com aquela idade o que queria ser. Devido à minha personalidade sempre pensei em ser advogada, mas caso fosse para humanidades, as opções que teria para além de direito não me agradavam. Saúde também sempre foi uma das minhas paixões e, por isso decidi seguir ciências, sem saber bem o que iria fazer. Cheguei ao meu 12º ano e tinha de decidir, pensei em fisioterapia, enfermagem e só depois pensei em nutrição, nutrição porque sempre assisti a situações de excesso de peso na família, obesidade em amigos e má nutrição aquando doenças graves.

Lá fui eu para a faculdade… Mesmo no início, deparei-me com muitas dores no corpo, que me proibiam de fazer desporto e comecei a parar o exercício e a frequentar os médicos para saber o que se passava. Ainda ninguém sabia o que era, mas as injeções de cortisona, os comprimidos a duplicar e mais não sei o que, começaram a surgir na minha vida. Entre dores, medicação, sedentarismo e excesso calórico acabei por me ver com mais 28Kg, a odiar o meu corpo, com uma auto estima super baixa, as minhas notas na faculdade a caírem, foi uma fase muito, muito complicada na minha vida. Sentia que era feia, gorda e tudo aquilo era horrível para mim. Entrar no provador e ver aquele corpo horrível no espelho, a roupa sem me servir, acho que para mim foi das alturas mais difíceis que passei.

Procurei nutricionistas e vou ser-vos sincera, não desfazendo ninguém mas odiei!!! Sei que sou nutricionista, mas odiei de morte conhecer os nutricionistas que conheci, a minha auto estima estava tão baixa e ouvi-los dizer coisas que me deixavam ainda mais triste fez-me perceber que não era aquele método que queria seguir. Desde “estás gorda nem precisas de ir à balança”, de um nutricionista criar um plano com sopa ao pequeno almoço (que para mim era impossível), de nunca ouvirem o que de facto eu gostava de comer e que me dava prazer, fez-me duvidar do que realmente eram os nutricionistas. Depois daquilo tinha a certeza que não era essa direção que queria tomar.

Comecei a utilizar métodos que aprendi na faculdade e consegui perder 28Kg!!! Ganhei novamente auto estima e fiquei forte para seguir o meu caminho!! Mesmo com tudo isto, licenciei-me, acabou finalmente todo aquele stress de exames!!! Fui estagiar para a ordem dos nutricionistas no IPO do Porto, onde fui recebida de uma maneira incrível e descobri pessoas maravilhosas sempre dispostas a ajudar-me. Pedi para assistir a cirurgias e não sabem o prazer que me dava conhecer por dentro o corpo humano, que aprendizagem incrivel esta!

Foi no Porto que consegui perceber que tinha fibromialgia, uma doença crónica caracterizada por queixas neuromusculares dolorosas e difusas mas também pela presença de pontos de dor em regiões específicas. Tive de passar por inúmeros processos e posso dizer-vos que é muito doloroso, passava a vida em médicos, em ressonâncias, em tomas de dosagens elevadas de cortisona entre outras coisas. Inicialmente a medicação que me davam eram anti depressivos, devido a serem os maiores relaxantes musculares, relaxando assim o meu corpo e diminuindo as dores. Estava tão desesperada que comecei a tomar, mas não sabia lidar com aquilo, sonolência dia e noite e, eu era tão nova que nada daquilo me fazia sentido. Comecei a procurar medicinas alternativas que não resultaram, deixei de tomar os comprimidos, comecei a fazer desporto e a procurar informação sobre a nutrição e doenças deste género. Uma alimentação pobre em alimentos inflamatórios, e a aquisição de hábitos saudáveis iria certamente ajudar nas dores.

Comecei a criar melhores hábitos, a exercitar o corpo e a tornar-me a melhor versão de mim. Desde terminar a licenciatura até começar a trabalhar decidi não tirar férias, queria manter a cabeça ocupada e arrancar no mundo do trabalho primeiro que muitos colegas meus da licenciatura. Comecei a trabalhar numa empresa que tinha um método específico, ganhei experiência e nome, gerando então após 2 anos um sentimento de frustração e de não me identificar mais com aquele método que em nada era personalizado para cada pessoa, um método daqueles que ouvimos na TV, tipo “perca x peso em x dias”, e então decidi começar por conta própria. Devo acrescentar aqui que quando me despedi tinha acabado de comprar casa para viver sozinha (eu sei que estupidez, ter um investimento em obras e em coisas para a casa e ficar sem trabalho), mas eu sabia que iria conseguir arranjar alguma coisa nem que fosse fora da minha área. Comecei a procurar clínicas onde queria trabalhar e facilmente arranjei locais para começar a exercer à minha maneira e do meu método. Fui crescendo, ganhando mais nome, mais carteira de clientes e rapidamente consegui ficar estável e ganhar um ordenado que me permitisse pagar contas, viver sozinha e ainda usufruir das coisas que mais gostava, viajar e fazer refeições fora.

A fibromialgia tinha passado à história, aprendi a viver com a dor, a fazer exercícios que me ajudavam a exercitar os músculos e segui a minha vida.

Chegou a pandemia, lembro-me que chorei tanto a achar que iria ter dificuldades a pagar contas. Tive de inovar, nunca tinha dado consultas online! Na altura que tivemos de ficar todos isolados sem sair, convidei uma amiga para vir passar o isolamento comigo e sem dúvida que foi ela que me ajudou a inovar e a criar hábitos para começar as consultas online, e, entre mais de 100 chamadas, comecei o projeto online e ultrapassei a dificuldade da pandemia (podem ver esta história num post que fiz anteriormente sobre nutrir o meu negócio).

Numas férias que tive após podermos desconfinar comecei a ter umas manchas, tipo borbulhas na pele e dores articulares intensas, não conseguia perceber o que se passava e senti então que tinha de voltar a visitar um médico. O meu desespero voltou, as dores voltaram e, para mim cada vez era mais difícil lidar com aquilo. Fiz mais de 5 biópsias à pele, mais de 30 exames, mais de 30 consultas e finalmente descobriram que tenho artrite psoriática. A artrite psoriática é uma doença articular inflamatória crónica. Atinge as articulações e pode provocar dor, limitação e incapacidade funcional em graus variáveis. Evolui por surtos (crises com sintomas) intercalados por períodos de remissão (períodos sem sintomas), de forma imprevisível. As manchas, as dores vinham daí, pesquisei e percebi que era uma doença autoimune, ou seja, é um mau funcionamento do sistema imunológico, levando o corpo a atacar os seus próprios tecidos. Comecei à procura de ajuda novamente e encontrei um médico que me mandou tomar um comprimido que era um imunossupressor e que é utilizado neste tipo de doenças em doses baixas e no cancro em doses elevadas. Comecei a tomar e senti o cabelo a cair, os vómitos eram constantes, as unhas partiam, o cansaço era extremo e voltei a deixar ter qualidade de vida.

Sentia-me novamente feia, sem forças e com auto estima baixa. Procurei outro tipo de médicos e, encontrei uma médica reumatologista, que utilizava para estas doenças tratamentos “biológicos”, ou seja imunossupressores mas não tão agressivos como os anteriores. Vou ser-vos sincera eu estou a tomar, são injeções que dou quin-zenalmente e que ainda não consegui até hoje e, já mudei imensas vezes de tratamento, chegar ao indicado. Estamos em experiências e sei que vou conseguir lá chegar. Há dias bons e dias maus, dias que me sinto cheia de energia, sorridente, linda e pronta para tudo e outros que me sinto um caco, que choro de dores, que me sinto feia e gorda, com cicatrizes das biópsias, que a celulite me choca mais que outra coisa qualquer, mas posso dizer-vos que não desisto, não desisto porque tenho pessoas incríveis ao meu lado, porque um dia quero ser mãe e quero mostrar aos meus filhos que com luta, persistência, força e dedicação conseguimos atingir tudo. São “marcas de guerra”, de personalidade! Tenho 28 anos e vivo sozinha, tenho um trabalho que adoro, tenho estabilidade financeira, tenho uma família e uns amigos incríveis, sou uma lutadora nata, sou dedicada, por isso são estas coisas que mostram que tenho de acreditar que consigo tudo o que eu quiser, que tudo está ao meu alcance.

Decidi contar-vos a minha história para perceberem que a vida não é um conto de fadas, que muitas das vezes por trás de um sorriso, está uma grande experiência, uma dor, uma angústia ou o que seja. Aprendi que precisamos de dar valor às coisas mais pequenas que sejam, ao amor, ao toque, às palavras e acreditar que somos únicos e incríveis independentemente do que possam dizer à nossa volta.

Se leste toda a minha história, sabes que sou humana, que sei exatamente o que é estar do outro lado, mas quero que saibas que és forte, que és capaz e que vais conseguir tudo o que queres!!!!